No outro dia, nuvens cinza substituíam os raios de sol em Halle, uma pequena cidade rodeada por cachoeiras, onde os cidadãos da cidade aproveitavam o calor (principalmente durante a primavera).
O despertador tocava as exatas 6:00 ao lado da cama de Daniel que dormia. Assustou-se. “Já é hora de acordar?” Pensou ele. Fora dormir tão tarde na noite anterior que achou que às 3 horas de sono se passaram como meia hora.
Levantou-se, depois de um longo bocejo, entrou no banheiro e tomou uma rápida ducha. Vestiu seu terno e desceu as escadas, onde preparou seu café. Após pouco mais de meia hora, ele pegou sua maleta, ligou o carro e dirigiu-se ao escritório. Como de costume, foi o primeiro a chegar. Dirigiu-se a sua sala, onde abriu as cortinas e a janela, e se sentou na poltrona defronte a sua mesa. Passadas 2 horas, onde analisava os gráficos e rendimento da empresa em que trabalhava há 2 anos, a Corporação Nurkil, uma bela moça adentrou em sua sala:
– Sr Fletchey?
– Ah, olá Lisa. Bom dia – desejou distraído, o gerente.
– Aqui estão suas correspondências. O Sr Lee mandou-lhe avisar que haverá uma reunião às 4. Como foi a sua viagem? – perguntou a moça de cabelos ruivos e profundos olhos verdes.
– Ah, foi tranqüila... Obrigado Lisa.
Daniel revirou suas correspondências. Além das correspondências semanais do rendimento da empresa, havia ali uma curiosa carta, cujo envelope tinha um grande símbolo da empresa (um “N” sobreposto num escudo). Curioso, ele abriu a carta:
“Sr Daniel Fletchey.
Andamos avaliando seu desempenho, e como estamos sempre pensando em evoluir, não só a nossa empresa, mas também os nossos funcionários, nós estamos te indicando para a função de vice-presidente. Porém, para desempenhar essa função, o Senhor deve residir em Cornel, onde fica a nossa sede oficial. O Senhor tem até terça-feira para nos enviar sua resposta oficial, e deverá estar em Cornel na quarta.
Condições da promoção:
- Aumento de 45% no salário bruto.
- Aumento de 45% no salário bruto.
- Bônus do equivalente a 100% do seu salário.
Atenciosamente,
Marcel Lee, diretor-presidente. “
Daniel ficou estupefato. Ficara surpreso por receber aquela promoção. Mas o que pensaria sua mulher, Angelina? Será que iria concordar em abandonar uma cidade tão pequena como Halle e ir para uma grande como Cornel? E sua filha, Anna? É certo que eles não andaram se dando muito bem. Na viagem que fizera no fim de semana, teve uma briga com Angelina, e ela até resolveu ficar mais uns dias. Será que ela realmente ficou triste e magoada? Sua mente se enchia de dúvidas, mas ele tomara uma decisão: iria chegar a sua casa e dizer a Angelina que queria ter uma vida melhor em Cornel.
Às 5:30 ele entrou no carro e percorria as ruas de Halle. Chegou a sua casa, abriu a porta e deixou cair maleta, chaves e tudo mais que havia na mão. A casa estava totalmente desmobiliada. Não havia nada além de uma carta no meio da sala. Foi Angelina que fez isso, ela o abandonara. Dan desabou.
– Lina... Você não poderia ter feito isso! – lágrimas escorriam em suas pestanas. Leu a carta pelo menos uma dúzia de vezes.
Passado algum tempo, ele se levantou e andou pela casa. Só as coisas pessoais de Daniel estavam bagunçadas no seu quarto. A chuva veio. Trouxe enormes nuvens negras que cobriram o pôr do sol. Daniel tirou ferozmente sua gravata e seu paletó e jogou de maneira desleixada sobre suas coisas esparramadas. Saiu sob a chuva e se dirigiu a um bar em frente a sua casa. Nunca estivera ali antes, Daniel não era muito fã de bebidas, mas alguma coisa dentro dele dizia que o que ele deveria fazer era se afogar em litros de Uísque. Passou a noite naquele lugar enquanto observava a folia dos clientes do bar, enquanto ele estava totalmente infeliz naquele momento.
Deu uma olhada em seu relógio de pulso, viu que era tarde e saiu dali. Perambulou pelas ruas de Halle sob a chuva, sentia-se vazio. Somente quando se deu conta que estava ao lado de sua casa, entrou. Dan deitou no chão frio e novamente observou seu relógio... Já estava amanhecendo, ele não ia dormir. Tomou um banho e chegou ao escritório uma hora e meia mais cedo do que o habitual. Não conseguiu se concentrar no serviço que tinha que entregar.
Quando a bela Lisa bateu na porta, ele se lembrou do que devia fazer.
– Sr Fletchey, você está bem? Quer um remédio? Um café? – perguntou Lisa com sua voz suave e doce.
– Estou ótimo... Não, obrigado – Daniel tentou disfarçar a sua voz fraca e rouca, mas não teve sucesso – Lisa, o Sr Lee está em Halle essa semana, não está?
– Sim, ele está na sala da Srta McCain agora.
– Ótimo. Obrigado Lisa.
Ele se dirigiu a sala vizinha a sua. Lá encontrou três pessoas ocupadas envolta de uma mesa coberta de papéis, análises e gráficos.
– Com licença, Sr Lee? – Daniel estava nervoso e agora nem tentava disfarçar sua voz fraca.
– Dan! Que prazer poder vê-lo novamente! Suponho que tenha recebido a minha carta.
– Sim, e já tenho a resposta.
O presidente pediu para os presentes se retirarem. Estes obedeceram, desejando bom-dia á Daniel ao passar pelo portal.
– Então, você já tem a resposta? Olha Dan... – Daniel abriu a boca para falar, mas Lee o interrompeu – Sei da capacidade que você tem. Gostava muito do Mark, nosso antigo vice-presidente, mas não posso continuar sem alguém no cargo depois que ele faleceu.
– Sr Lee, eu quero ir o mais rápido possível.
– Ahá – o Diretor vibrou – Mas, e Lina e Anna?
– Se foram... Agora estou sozinho, e não há nada melhor para recomeçar do que se mudar.
– Que tragédia! Você está bem? Está precisando de algo, Dan?
– Não, Sr Lee, eu estou bem – mentiu Daniel
– Tá, providenciarei seu avião e o hotel imediatamente. Você estará lá amanhã à tarde, tudo bem?
– Excelente! – Daniel forçou um sorriso.
Dan se sentiu um pouco mais animado com a expectativa de poder restaurar a sua felicidade em outro local. Mas ele não podia disfarçar a falta que iria sentir de Anna e Angelina. As duas mulheres eram tudo na vida dele.