30 de dezembro de 2011

Capítulo 2 - Mudanças

No outro dia, nuvens cinza substituíam os raios de sol em Halle, uma pequena cidade rodeada por cachoeiras, onde os cidadãos da cidade aproveitavam o calor (principalmente durante a primavera).



O despertador tocava as exatas 6:00  ao lado da cama de Daniel que dormia. Assustou-se. “Já é hora de acordar?” Pensou ele. Fora dormir tão tarde na noite anterior que achou que às 3 horas de sono se passaram como meia hora.



         Levantou-se, depois de um longo bocejo, entrou no banheiro e tomou uma rápida ducha. Vestiu seu terno e desceu as escadas, onde preparou seu café. Após pouco mais de meia hora, ele pegou sua maleta, ligou o carro e dirigiu-se ao escritório. Como de costume, foi o primeiro a chegar. Dirigiu-se a sua sala, onde abriu as cortinas e a janela, e se sentou na poltrona defronte a sua mesa. Passadas 2 horas, onde analisava os gráficos e rendimento da empresa em que trabalhava há 2 anos, a Corporação Nurkil, uma bela moça adentrou em sua sala:



           – Sr Fletchey?



           – Ah, olá Lisa. Bom dia – desejou distraído, o gerente.



           – Aqui estão suas correspondências. O Sr Lee mandou-lhe avisar que haverá uma reunião às 4. Como foi a sua viagem? – perguntou a moça de cabelos ruivos e profundos olhos verdes.



           – Ah, foi tranqüila... Obrigado Lisa. 



Daniel revirou suas correspondências. Além das correspondências semanais do rendimento da empresa, havia ali uma curiosa carta, cujo envelope tinha um grande símbolo da empresa (um “N” sobreposto num escudo). Curioso, ele abriu a carta: 



Sr Daniel Fletchey.


Andamos avaliando seu desempenho, e como estamos sempre pensando em evoluir, não só a nossa empresa, mas também os nossos funcionários, nós estamos te indicando para a função de vice-presidente. Porém, para desempenhar essa função, o Senhor deve residir em Cornel, onde fica a nossa sede oficial. O Senhor tem até terça-feira para nos enviar sua resposta oficial, e deverá estar em Cornel na quarta.


Condições da promoção:
- Aumento de 45% no salário bruto.

- Bônus do equivalente a 100% do seu salário.


                                                Atenciosamente,

                                                                      Marcel Lee, diretor-presidente. “



Daniel ficou estupefato. Ficara surpreso por receber aquela promoção. Mas o que pensaria sua mulher, Angelina? Será que iria concordar em abandonar uma cidade tão pequena como Halle e ir para uma grande como Cornel? E sua filha, Anna? É certo que eles não andaram se dando muito bem. Na viagem que fizera no fim de semana, teve uma briga com Angelina, e ela até resolveu ficar mais uns dias. Será que ela realmente ficou triste e magoada? Sua mente se enchia de dúvidas, mas ele tomara uma decisão: iria chegar a sua casa e dizer a Angelina que queria ter uma vida melhor em Cornel.



 Às 5:30 ele entrou no carro e percorria as ruas de Halle. Chegou a sua casa, abriu a porta e deixou cair maleta, chaves e tudo mais que havia na mão. A casa estava totalmente desmobiliada. Não havia nada além de uma carta no meio da sala. Foi Angelina que fez isso, ela o abandonara. Dan desabou.



            Lina... Você não poderia ter feito isso! – lágrimas escorriam em suas pestanas. Leu a carta pelo menos uma dúzia de vezes.



 Passado algum tempo, ele se levantou e andou pela casa. Só as coisas pessoais de Daniel estavam bagunçadas no seu quarto. A chuva veio. Trouxe enormes nuvens negras que cobriram o pôr do sol. Daniel tirou ferozmente sua gravata e seu paletó e jogou de maneira desleixada sobre suas coisas esparramadas. Saiu sob a chuva e se dirigiu a um bar em frente a sua casa. Nunca estivera ali antes, Daniel não era muito fã de bebidas, mas alguma coisa dentro dele dizia que o que ele deveria fazer era se afogar em litros de Uísque. Passou a noite naquele lugar enquanto observava a folia dos clientes do bar, enquanto ele estava totalmente infeliz naquele momento. 



Deu uma olhada em seu relógio de pulso, viu que era tarde e saiu dali. Perambulou pelas ruas de Halle sob a chuva, sentia-se vazio. Somente quando se deu conta que estava ao lado de sua casa, entrou. Dan deitou no chão frio e novamente observou seu relógio... Já estava amanhecendo, ele não ia dormir. Tomou um banho e chegou ao escritório uma hora e meia mais cedo do que o habitual. Não conseguiu se concentrar no serviço que tinha que entregar. 



 Quando a bela Lisa bateu na porta, ele se lembrou do que devia fazer.



            – Sr Fletchey, você está bem? Quer um remédio? Um café? – perguntou Lisa com sua voz suave e doce.



            – Estou ótimo... Não, obrigado – Daniel tentou disfarçar a sua voz fraca e rouca, mas não teve sucesso – Lisa, o Sr Lee está em Halle essa semana, não está?



            – Sim, ele está na sala da Srta McCain agora.



            – Ótimo. Obrigado Lisa.



Ele se dirigiu a sala vizinha a sua. Lá encontrou três pessoas ocupadas envolta de uma mesa coberta de papéis, análises e gráficos.



            – Com licença, Sr Lee? – Daniel estava nervoso e agora nem tentava disfarçar sua voz fraca.



            – Dan! Que prazer poder vê-lo novamente! Suponho que tenha recebido a minha carta.



            – Sim, e já tenho a resposta.



 O presidente pediu para os presentes se retirarem. Estes obedeceram, desejando bom-dia á Daniel ao passar pelo portal.



            – Então, você já tem a resposta? Olha Dan... – Daniel abriu a boca para falar, mas Lee o interrompeu – Sei da capacidade que você tem. Gostava muito do Mark, nosso antigo vice-presidente, mas não posso continuar sem alguém no cargo depois que ele faleceu. 



            – Sr Lee, eu quero ir o mais rápido possível.



            – Ahá – o Diretor vibrou – Mas, e Lina e Anna?



            – Se foram... Agora estou sozinho, e não há nada melhor para recomeçar do que se mudar.



            – Que tragédia! Você está bem? Está precisando de algo, Dan?



            – Não, Sr Lee, eu estou bem – mentiu Daniel



            – Tá, providenciarei seu avião e o hotel imediatamente. Você estará lá amanhã à tarde, tudo bem?



            – Excelente! – Daniel forçou um sorriso. 



Dan se sentiu um pouco mais animado com a expectativa de poder restaurar a sua felicidade em outro local. Mas ele não podia disfarçar a falta que iria sentir de Anna e Angelina. As duas mulheres eram tudo na vida dele.






28 de dezembro de 2011

Capítulo 1 - Realidade

Naquela tarde, as nuvens negras no céu se baralhavam. Fred estava decorando as janelas com luzes de Natal, mas logo teve que parar e adentrar a casa. Fechou todas as janelas da sala e moveu-se para a lareira, onde ouvia um assombroso estrondo. Depois daquele barulho, era possível ouvir os berros que viam do quarto de cima. Fred subiu as escadas e abriu vagarosamente a porta do quarto de Dora, ela estava assustada na cama.

            O que foi? – perguntou o louro.


            Nada... Foi só um susto – respondeu, se escondendo debaixo do cobertor.


            Oh! Levanta! Falta muita coisa para arrumar na casa ainda! 


 Dora destampou o rosto e demonstrou desânimo.


            Por que eu tenho que te ajudar? – perguntou a mulher.


            Porque você me prometeu, oras – falou, voltando para o interior da casa.


A chuva começava a aparecer e a cada minuto ficava cada vez mais intensa. Aquilo desanimava profundamente o louro, que tinha esperanças de conseguir arrumar as luzinhas para o Natal. Sentou e começou a refletir.


            Frederico, esquece essa de Natal... – exclamou Dora, que havia levantado da cama.


            Claro que não. E todo meu trabalho? Como fica? 


 O louro se levantou e andou até a janela.


            Essa chuva vai acabar em alguns minutos, escreve isso – alegou com pouca esperança.


Outro estrondo espantava Dora, mas esse tinha muito mais potência que o anterior. E mais um barulho vinha depois, tirando a atenção dos dois irmãos.


            A rua! – gritou Fred.


Eles correram para a janela da frente e se depararam com o poste de luz no chão, e em poucos segundos toda a energia da casa acabava. Depois daquela lastima, o louro deitou no sofá para acalmar.


            Será que nunca mais teremos um Natal como aqueles que tínhamos antes? – perguntou-se. – Um Natal feliz...


            Nada será como antes – pronunciou Dora – Nem os Natais – completou, indo até a cozinha.


Fred nunca aceitou a idéia de ter perdido seus pais, e sempre tentou ignorar essa realidade. Porém, isso só estimulava a ferida que ele passou a ter depois de um acidente de carro que o fez um filho órfão. Frederico desistiu das luzinhas e foi cochilar na sala por algumas horas. 


            Ding dong... Ding dong... – a campainha tocava desenfreadamente. 


            Não sabe esperar? – gritou o louro após ser acordado.


Dora desfilava até a porta, segurando uma travessa de bolinhos em meio à escuridão. Ela abriu a porta para seu namorado Claus, que se abraçavam naquele reencontro. Claus era misterioso, supostamente mais velho que a garota, trabalhava como fotógrafo e dizia ter um guru, sua família acredita que ele possa ter relações amorosas com este, mas ninguém conta para Dora, pois todos têm certeza de que a mesma não acreditaria.


            É impossível esperar por essa adorável... Namorada... – disse Claus, beijando-a apaixonadamente. 


A luz ainda não tinha retornado totalmente, e o casal aproveitou o ambiente escuro para se beijarem mais ainda.


            Bah! – Dora deu um enorme suspiro e começou a respirar de forma ofegante. – Calma amor, me deixa respirar!


Os dois começam a rir daquela situação. Mas o clima mudava naquele instante, a mulher batia no peitoral do namorado, furiosa.


            Onde você estava? Te liguei o dia inteiro e você só aparece agora?


            Estava com meu guru, as minhas consultas são ininterruptas... Celular tem que estar desligado!


            E o que você aprendeu hoje? – perguntou a mulher, com um sorriso instigante.


            Aprendi que o nosso amor... É mais forte que a distância, que o tempo, que ele jamais se desgastará... 


            Humm... Por quê? 


            Porque eu pertenço a você... E você a mim... E juntos, somos um só coração.


Aquelas palavras derretiam a mulher, que ignorava o fato de estar segurando a travessa e deixava todos os bolinhos caírem no chão.


            Ops! – exclamou ela, sorrindo levemente. – Adorei suas palavras, elas são tão sinceras...



“Será?” Pensou Fred, enquanto escutava tudo fingindo que estava dormindo no sofá. Claus olhou para o louro e começou a cutucá-lo, para que este acordasse. Aquilo o irritava profundamente, e este levantou mal humorado.

            Algum problema, meu amigo? 

            Sim, você! – exclamou, com um olhar de decepção.
 

            Hihihihihi, você sempre desse jeito não é? – questionou o fotógrafo.


            Desse jeito como?


            Bobo...


            Ah sim – o louro sorriu sarcasticamente. 


Dora estava agitada, limpava o estrago que fizera com os bolinhos como se o mundo fosse terminar no outro dia. Quando terminado, fez um chamado.


            Vamos comer! 


Naquele Natal, a ceia estava mais vazia... Esse representava a mudança de vida dos irmãos. Agora os desafios tendem a ser mais desafiadores em seus cotidianos. O silêncio toma conta, ninguém abria a boca... Até que as luzinhas começavam a acender por inteiro. A árvore no fundo brilhava intensamente, proporcionando a magia que Fred esperava para aquele momento. O louro levantou e caminho até a árvore, acompanhado do casal que pelo menos poderia ser considerado sua família.


            Bola pra frente... – disse Dora para o irmão, sorrindo levemente.


Vendo os irmãos pensativos, Claus tentou animar o momento.


            Gente! Vamos abrir os presentes, já tá na hora – alegou enquanto olhava seu relógio de pulso.


            Own, estou super ansiosa para abrir o meu!


            Os seus, você quer dizer... Não é, amor? 


            Ahn? Quantos você comprou? – perguntou Dora, com a emoção á flor da pele.


            Seu irmão não quis gastar muito, mas você vai surpreender com os presentes que você vai receber.


Fred mudava o olhar para Claus, tentando demonstrar que não entendeu o que ele disse, que não havia gostado nem um pouco. Este disfarçou, e os três abriam os presentes que tinham trocados entre si. Dora ora se mostrava insatisfeita, ora se mostrava o contrário... Enquanto os dois rapazes mal expressavam emoções ao abri-los. Claus não podia ter esquecido a câmera fotográfica, registrou todos os momentos daquela noite até o seu fim. Sua intenção era de ir embora, mas Dora insistiu que ele dormisse ali. Ela estava quente, e agitava ainda mais... Seus olhos brilhavam enquanto encarava o namorado naquele momento romântico. 


No que você está pensando? – perguntou a mulher, com um olhar sedutor. 


No mesmo que você... – respondeu Claus, retribuindo a sedução.


Dora envolvia o namorado, e os dois subiam para o quarto para se desfrutarem de mais uma noite em claro. Naquela altura do campeonato, Fred já havia ido dormir... Para tentar recompor o humor que perdera naquele dia.